segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Chave da Vitória

Editora Brasil Seikyo Terceira Civilização - Edição 517 - 17/09/2011 - Pág.53 - Capa
Impresso por Gracilene Maria Daniel de Souza (67114-2).
Terceira Civilização - Capa

É uma certeza! Seus desejos serão realizados. Sua vida será transformada. A felicidade, conquistada. Seu destino, redesenhado. Seu futuro, brilhante. Você será capaz de ultrapassar qualquer desafio. Como ser uma pessoa assim? Aprenda a utilizar a CHAVE da vitória.


O que é vitória?
Vitória é felicidade absoluta. O segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, afirma: “FELICIDADE ABSOLUTA chama-se iluminação. Então, o que é a felicidade absoluta? É sentir profunda alegria e satisfação apenas pelo fato de estar vivo. Não haverá mais dificuldade financeira, a vida transbordará de boa saúde, harmonia familiar, sucesso no trabalho. Enfim, sentir plena satisfação em tudo o que vê, em tudo o que ouve. ‘Ah! Como sou feliz!’ Quando isso ocorre, este mundo mundano se transforma na terra pura da iluminação e isso se chama felicidade absoluta”.
O que deve ser compreendido é que qualquer um dos itens descritos acima nasce da mente. Construir uma vida assim é responsabilidade sua! Felicidade absoluta é resultado de um esforço criativo para transformar a realidade cotidiana. É dedicar-se por inteiro, dando seu melhor em tudo o que faz.
Portanto, vitória é tornar-se “senhor da sua mente”; ou melhor, ser o mestre da sua mente. É dominar a vida e ter todas as leis vitais sob seu comando.


O cérebro transforma a realidade
Vários ramos da ciência têm se dedicado a decifrar os diversos mecanismos mentais. Comprovadamente, já se sabe que o cérebro transforma a realidade. Como ele faz isso?


Memória associativa
Nosso cérebro é formado por cerca de 86 bilhões de pequenas células chamadas neurônios que se conectam entre si formando uma rede neural. Em cada conexão está registrado um pensamento. O cérebro constrói a própria realidade por meio de memórias associativas. São associativas porque conectam pensamentos, palavras e ações para construir conceitos. Esses conceitos comandam as reações na forma de novos pensamentos, novas palavras e ações.
Uma pessoa registrou negativamente a experiência do amor ao ter uma desilusão amorosa. Quando o sentimento do amor for acionado novamente, ela faz associações, revive pensamentos, ideias e sensações do passado; e o presente será “colorido” com dor.
É curioso notar que essas memórias negativas foram colocadas na mente no passado. Portanto, o cérebro cria conexões e reações idênticas ao que já ocorreu, modificando seu corpo e ambiente de acordo com o passado. A pessoa sempre reage da mesma forma em situações que poderiam ser enfrentadas de um jeito melhor.
Assim como um cérebro pode estar programado para reagir negativamente diante de uma situação, pode, também, reagir positivamente. O que define isso é o estado da vida. Mas a pergunta é: como fazer isso?


Estado da vida e cérebro
Fisiologicamente, os neurônios estão conectados. Se praticarmos algo diariamente por muito tempo, essas conexões tornam-se conexões de “LONGA DATA”. Por exemplo, uma pessoa que fica frustrada por muito tempo, lamenta todo dia, cria conexões negativas de longa data e estas se ligam às demais.
Em termos práticos, a frustração ou a lamentação “inunda” o cérebro, e essa sensação torna-se o estado básico da vida. Por mais que haja momentos positivos, a pessoa sempre retorna para sua tendência básica.
Assim como a felicidade, o sofrimento é resultado de uma “prática diária”. Todos os dias a pessoa acorda e pragueja. Trabalha e reclama. Almoça e fala mal de alguém. Volta para casa e lamenta seu dia. É como se ela fizesse uma oração de lamentação 24 horas por dia. É uma dedicação extraordinária à negatividade. A vida (corpo e mente) reage com precisão a esse estímulo diário. Por mais que ela não queira sofrer, seus pensamentos, suas palavras e ações dizem o contrário. Naturalmente, sua realidade será igual àquilo que acredita.
A forma de ROMPER essa negatividade é INTERROMPER o processo de conexão de longo prazo dos neurônios e criar novas ligações neurais positivas. Parece um processo difícil. Mas o Budismo Nititen praticado na SGI simplifica e apresenta uma solução viável, eficiente e acessível a todos.
Recitar diariamente o Nam-myoho-rengue-kyo cria as conexões positivas de “longa data”. Somadas à oração, as atividades da SGI — reuniões, prática do Chakubuku etc. —, que estimulam a revolução humana, criam “redes neurais da felicidade”. A correta prática da fé fortalece essas conexões positivas.
O Budismo Nitiren propõe uma PRÁTICA DIÁRIA (de manhã e à noite), pois a interrupção do processo de configuração mental faz os neurônios se desconectarem das novas ligações positivas. A repetição da prática budista é fundamental.
Essa mudança da “oração” negativa para o Nam-myoho-rengue-kyo, aliada à revolução humana, gera circuitos cerebrais que crescem como resultado do esforço. Isso será repetido no dia seguinte ainda com mais certeza. Diariamente, você amplia e se fortalece até o pensamento ficar mais forte que a realidade.
Um membro da SGI acorda. Recita Gongyo e Daimoku. Enche-se de entusiasmo, criando um estado da vida que supera a realidade. Trabalha com disposição. Encara o mundo com uma perspectiva positiva. Volta do trabalho. Participa de uma animada Reunião de Palestra. Faz Chakubuku. Ora novamente. E renova sua coragem e seu ânimo.
É uma dedicação extraordinária ao estado de Buda. Como não há oração sem resposta, sua realidade será a de um Buda, repleta de benefícios e de felicidade.

A mente cria realidades
Uma das descobertas dos cientistas é que A MENTE constrói a realidade em todos os seus aspectos. Seu corpo, relacionamento com as pessoas e o ambiente natural são definidos a partir das conexões neurais. A solução é mudar a rede neural. Como consequência, mudar positivamente o comportamento e a interação com o mundo; deixar para trás os velhos padrões.

Reações químicas
À medida que o cérebro recebe estímulos diários, ele passa a produzir substâncias que desencadeiam reações em todo o corpo.
Determinadas substâncias, produzidas em áreas específicas do cérebro, afetam as células que são a menor parte consciente do corpo. Existem reações químicas que combinam com cada estado da vida.
De acordo com o estado da vida, o cérebro libera substâncias correspondentes que se espalham na corrente sanguínea e se encaixam nas células por meio de receptores. Quando as células se acostumam com as substâncias, passam a “exigir” cada vez mais a produção destas. O cérebro, para atender essa demanda, muda as conexões para a pessoa criar situações propícias, gerando um estado da vida que atende àquela necessidade.
O presidente Ikeda declara que “o cérebro humano contém um universo de possibilidades. O Dr. Normam Cousins afirmou: ‘Com relação aos BILHÕES DE NEURÔNIOS do cérebro humano, não hánada mais magnífico que a capacidade do CÉREBRO de converter pensamentos, esperanças, ideias e atitudes em substâncias químicas. Portanto, tudo COMEÇA COM A FÉ. Aquilo em que acreditamos é a opção mais poderosa de todas’. A fé está na origem de tudo, e sua suprema forma é a fé na Lei Mística”.

Editora Brasil Seikyo Terceira Civilização - Edição 517 - 17/09/2011 - Pág.57

O fascínio da mente humana

Trecho do livro A Sabedoria do Sutra de Lótus

Pres. Ikeda: Diz-se que o cérebro torna-se-á na maior fronteira da ciência no próximo século. É um vasto domínio que pode ser descrito como um cosmos em miniatura, um universo de fato. Acredito que até agora as pesquisas sobre o cérebro enfocaram amplamente as funções das partes individuais do cérebro.
Suda: Sim. As partes do cérebro que processam as emoções, e mesmo as partes que distinguem símbolos gráficos já foram identificadas.

Pres. Ikeda: À medida que prosseguem as pesquisas sobre o cérebro, estamos descobrindo que ele não é uma simples aglomeração das funções de suas partes. Por exemplo, o cérebro humano consiste em duas partes: o lado esquerdo, que controla as funções intelectuais, e o lado direito, que controla as atividades criativas e artísticas. Mas o fato surpreendente é que há indivíduos que desempenham plenamente suas funções e que carecem de um hemisfério do cérebro. Por exemplo, havia um jovem que levava uma vida completamente normal, mas descobriu-se durante um exame médico rotineiro que lhe faltava seu hemisfério esquerdo. Uma vez que lhe faltava o hemisfério que dirigia sua atividade intelectual, poderia esperar que ele fosse incapaz de compreender a linguagem ou de controlar o lado direito de seu corpo. Mas não era este o caso. Seu hemisfério direito havia tomado as funções que lhe faltavam no lado esquerdo.

Endo: A vida é realmente misteriosa. Há muitos relatórios de crianças nascidas com alguma disfunção porque faltavam partes de seus cérebros, mas que, à medida que cresciam, os próprios cérebros se reparavam; até a época em que atingiam a maturidade, essas crianças eram completamente normais.
Há jardins de infância que permitem que essas crianças desenvolvam-se num ambiente normal com outras crianças. Mesmo crianças nascidas somente com o tronco cerebral e com uma parte do lombo frontal, por meio dessa interação e estímulo positivo, aprenderam a brincar com outras.

Pres. Ikeda: Isso é muito interessante. A vida tem um POTENCIAL que é realmente insondável. Finalmente, estamos vendo o enorme poder que possui. Eis por que jamais devemos desprezar alguém. Em particular, nunca devemos colocar limites aos nossos potenciais. Em muitos casos, nossas assim chamadas limitações não são nada mais do que nossa decisão de nos limitarmos.


Editora Brasil Seikyo Terceira Civilização - Edição 517 - 17/09/2011 - Pág.60 – Capa


O cérebro, um universo

Por Dr. Daisaku Ikeda, presidente da SGI

O cérebro humano também é frequentemente considerado como o próprio Universo em miniatura em virtude do seu potencial ilimitado. A chave está em como extrair esse potencial. Quando observamos nosso corpo em funcionamento, podemos dizer que ele lembra enorme indústria farmacêutica. Nosso corpo produz o próprio remédio e suas drogas e possui a habilidade de proteger a saúde e o bem-estar.
É de fato um MICROCOSMO verdadeiramente maravilhoso.
O Universo é composto por um incalculável número de partículas elementares: prótons, elétrons, nêutrons, fótons; e também por átomos que compreendem os elementos químicos, tais como hidrogênio, oxigênio e cálcio. Essas mesmas partículas e elementos constituem nosso corpo. Um estudioso sugeriu que “o corpo humano é feito do mesmo material que as estrelas”, e denominou os seres humanos de “filhos das estrelas”. Nosso corpo não somente é feito da mesma composição do Universo, como também é governado pelos mesmos princípios básicos de geração e desintegração e pelo ritmo de vida e morte que permeia o cosmos.
Todas as leis físicas, como a da gravidade e a da conservação de energia, também afetam e operam no microcosmo de cada entidade viva.
A Terra leva 365 dias, cinco horas e 48 minutos para completar sua órbita em torno do Sol. Há uma ordem rigorosa para tudo.
Sabe-se que nosso corpo é constituído por mais de sessenta trilhões de células. Quando elas estão trabalhando diariamente, de forma ordenada e sistemática, realizando suas respectivas funções corretamente, isso significa que estamos desfrutando boa saúde. A complexidade e a precisão do funcionamento do corpo humano são surpreendentes.
Quando fazemos o Gongyo e recitamos o Daimoku diante do Gohonzon, o microcosmo de nossa vida individual entra em FUSÃO com o macrocosmo.
O Universo e nossa vida são manifestações da Lei Mística, do Nam-myoho-rengue-kyo. O Gohonzon também incorpora o Nam-myoho-rengue-kyo. Uma vez que todos são entidades da Lei Mística, eles são essencialmente unidos.
Portanto, quando recitamos o Nam-myoho-rengue-kyo e focalizamos nossa atenção no GOHONZON, nossa vida e o Universo se unem como as engrenagens de uma máquina funcionando harmoniosamente com perfeita precisão, e passamos a seguir na direção da felicidade e da realização. Dessa forma, podemos estar em ritmo com o Universo nos 365 dias do ano — na primavera, no verão, no outono e no inverno —, manifestando vigor, sabedoria e boa sorte com os quais superamos quaisquer problemas ou sofrimentos.
Quando REVITALIZAMOS a poderosa máquina do estado de Buda, tornamo-nos capazes de transpor qualquer impasse e, corajosamente, tomar o rumo em direção à esperança e à justiça.

Fonte: BS, edição no 1.484, 14 de novembro de 1998, p. 3.

Editora Brasil Seikyo Terceira Civilização - Edição 517 - 17/09/2011 - Pág.62

Diálogo com um agricultor

No volume 1 da Nova Revolução Humana, o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda dialoga com um agricultor imigrante japonês. O assunto era o fracasso da plantação do agricultor. O presidente Ikeda o orienta de forma prática e revela a chave da vitória:

A COLHEITA
Um senhor, aparentando pouco mais de 40 anos, começou a falar nervosamente.
— Meu trabalho é a agricultura, senhor!
— Por favor, fique mais à vontade. Não estamos num exército. Todos são companheiros e membros de uma mesma família. Por isso, sinta-se como se estivesse em sua própria casa.
(...) A pergunta referia-se ao fracasso na colheita de hortaliças, isso porque ele havia iniciado recentemente o cultivo. Ele ficara atolado em dívidas e queria saber como superar aquela situação.
Shin-iti perguntou-lhe:
— Qual foi o motivo do insucesso na colheita?
— Imagino que o clima tenha influenciado um pouco...
— O senhor sabe se alguém alcançou êxito plantando a mesma espécie?
— Sim. Mas a maioria teve fracasso.
— Será que não houve problema de adubação?
— Não tenho certeza...
— E quanto aos cuidados com a plantação, será que foram adequados?
Ele não soube responder.
— A espécie de hortaliça e o tipo de solo eram compatíveis?
— Não sei...
Aquele senhor não soube responder satisfatoriamente às questões levantadas por Shin-iti. Como fazendeiro, ele trabalhara com toda a seriedade, fazendo o melhor possível, assim como os demais.
Mas achar que apenas isso era suficiente acabava levando-o ao descuido. Ele não havia percebido esse erro. Shin-iti começou a falar de forma mais acentuada.
— Para não repetir o mesmo fracasso, o senhor deve PESQUISAR e VERIFICAR minuciosamente as causas do insucesso na colheita. É importante também consultar e ouvir as pessoas que tiveram uma boa safra para aplicar as experiências dessas pessoas em seu trabalho. Além disso, procure ESTABELECER TODOS OS PLANOS para não cometer outro fracasso. Uma pessoa que está realmente DECIDIDA A VENCER não dispensa a constante pesquisa e aplicação na criação de todos os recursos necessários. Se houver negligência nessa conduta, não poderá obter sucesso algum. É um grande erro imaginar que terá uma abundante colheita em sua horta apenas porque está se empenhando na prática da fé. O Budismo é a mais suprema razão. Portanto, a fervorosa prática da fé deve ser evidenciada por meio de um esforço redobrado na PESQUISA, no PLANEJAMENTO e na CRIATIVIDADE. A recitação do Daimoku com toda a seriedade é a fonte básica de onde brotará a energia para esse grande desafio. Além do mais, seu Daimoku deve ser como o Juramento.
— Juramento...? — perguntou o senhor. Todos estavam ouvindo aqueles conceitos pela primeira vez.
— Sim, Juramento — respondeu Shin-iti — Isso significa fazer o Juramento e orar para realizá-lo.
Shin-iti ressaltou suas palavras pondo mais vigor na voz.
— Quando se trata de oração, existem pessoas que não se esforçam e ficam apenas esperando que a resposta de seu pedido caia do céu. Se uma religião permite essa conduta, então estará corrompendo o ser humano. No Budismo Nitiren, a ORAÇÃO é originalmente o JURAMENTO e sua essência, o KOSSEN-RUFU. Em outras palavras, significa orar resolutamente com a seguinte determinação: “Eu vou realizar o Kossen-rufu do Brasil. Para isso, vou demonstrar brilhantes comprovações também em meu trabalho. Por favor, faça que eu possa evidenciar o máximo de minhas forças”. Este deve ser o contexto básico de nossas orações. Com essa DISPOSIÇÃO, devemos estabelecer OBJETIVOS CLAROS a serem realizados concretamente a cada dia, desafiando-os e orando pela concretização de cada um deles. É dessa seriedade e forte determinação que emergem a sabedoria e a criatividade, e é daí que se abre o caminho do sucesso. Portanto, a vitória na vida surge da interação entre “DECISÃO” e “ORAÇÃO”, “ESFORÇO” e “PLANEJAMENTO”. É um erro querer ganhar uma grande fortuna apenas sonhando ou ficando na expectativa de uma oportunidade de ganho fácil e lucrativo. Isso não é fé; é apenas uma fantasia. O trabalho é a base que sustenta a vida diária. Se não obtiver vitória no trabalho, não é possível comprovar o princípio de que o “budismo é a própria vida diária”. Por favor, abandone por completo a postura acomodada e empenhe-se mais uma vez no trabalho, conduzindo todo o seu ser com renovada decisão.
— Sim. Eu vou me esforçar.
Seus olhos brilhavam com uma nova determinação. Shin-iti estava plenamente ciente da difícil e penosa situação dos imigrantes agrícolas. Para atingir o sucesso nessa circunstância, seria necessário, mais do que qualquer outra providência, que eles lutassem contra o próprio comodismo e conformismo. O inimigo estava dentro deles.
Quanto mais adversa for a situação, mais importante será a RESOLUÇÃO de que agora é a época de alcançar a vitória na vida. É exatamente nessa hora que se evidencia a força benéfica do Gohonzon.
Por essa razão, pode-se qualificar as condições desfavoráveis como uma chance para comprovar a força do Budismo.
O Budismo expõe realmente que, se uma pessoa comete algum mal contra seus semelhantes, ela terá de trilhar um curso de infelicidades como resultado dos atos negativos do passado. Entretanto, este é somente um aspecto dos ensinos budistas. Se a vida se restringisse apenas a isso, as pessoas teriam de viver numa constante insegurança justamente por não conseguir saber as causas negativas de existências passadas. Elas carregariam um grande complexo de culpa. E o destino constituiria algo previamente delineado e provocaria nas pessoas o desinteresse pela própria vida. Portanto, elas se tornariam adeptas de um modo de vida passivo no qual a única preocupação seria a de não cometer nenhum mal.
O Budismo Nitiren transcende o limite da concepção superficial da lei de causa e efeito, de castigo e recompensa, e revela a natureza real da causalidade e a forma como recuperar o estado de pureza da vida, que existe desde o infinito passado. Ou seja, uma pessoa deve viver em prol do Kossen-rufu consciente da MISSÃO como Bodhisattva da Terra.

Fonte: NRH, v. 1, p. 194-197.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Rio Grande do Norte integra política de práticas complementares no Sistema Único de Saúde

Foi publicado no Diário Oficial do Estado dessa terça-feira (28) a portaria que aprova a Política Estadual de Práticas Integrativas e Complementares (Pepic) no Sistema Único de Saúde do Rio Grande do Norte, que tem como princípio básico a abordagem da atenção integral à saúde dos indivíduos, pautada no cuidado humanescente.
No RN, as práticas irão incluir a acupuntura, homeopatia, plantas medicinais e fitoterapia, crenoterapia (uso de águas minerais para tratamento de saúde), medicina antroposófica (integralidade do cuidado em saúde), práticas corporais transdisciplinares (harmonização de processos energéticos na estrutura corporal) e vivências lúdicas integrativas (diferentes modos de sentir o fluir das emoções).
A Secretaria de Estado da Saúde da Pública (Sesap) designou um grupo técnico que promove reuniões semanais para concretização da implantação da Política das Práticas Integrativas e Complementares (PIC) no RN. Todas as regionais de saúde estão respondendo a um censo para cadastro de profissionais e unidades de saúde que já atuam na área. Após o cadastramento, a previsão é que em julho sejam definidas as unidades de referência em acupuntura, homeopatia e fitoterapia.
Ainda para o mês de julho estão agendados encontros de sensibilização e capacitação dos profissionais de saúde para o uso de fitoterápicos no tratamento de várias doenças.
De acordo com a secretária-adjunta da Saúde, Ana Tânia Sampaio, a implantação das práticas no RN conta com o apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e com a sociedade médica. "É um sonho realizado ver que o RN ganhou sua política de práticas complementares. Agora para o segundo semestre pretendemos implantar a meditação visualizada com os pacientes do CRI e Hospital Maria Alice e próximo ano em todos os hospitais da rede estadual", afirma a secretária-adjunta.
A previsão é implantar, ainda no segundo semestre, as "Farmácias Vivas" em parceria com a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Mossoró, que irá servir de referência na produção de plantas medicinais. O município também será referência para tratamentos medicinais com águas termais, projeto que já está em negociação em parceria com a Prefeitura de Mossoró e a Secretaria de Turismo.


http://www.omossoroense.com.br/regional/3118-rio-grande-do-norte-integra-politica-de-praticas-complementares-no-sistema-unico-de-saude

domingo, 15 de maio de 2011

RELAÇÃO COM A TEORIA DAS NOVE CONCIÊNCIAS

Pensamento

“A mente humana possui tanto o lado iluminado como o obscuro. Se ignorarmos essa escuridão, jamais reconheceremos a coragem daqueles que a romperam. Aqueles que compreendem que o bem e o mal em sua vida são unos, os que vencem o mal e fortalecem o bem inatos, são pessoas genuinamente corajosas”.

Daisaku Ikeda


RELAÇÃO COM A TEORIA DAS NOVE CONCIÊNCIAS


1ª TATO                      C                    S                             Pele
                                                             E
2ª PALADAR              I                      N                            Língua
                                                             T
3ª OLFATO                N                      I                             Nariz                            
                                                              D
4ª AUDIÇÃO              C                      O                           Ouvidos
                                                              S
5ª VISÃO                    O                                                    Olhos


Os cinco primeiros tipos de consciência são percepções sensoriais obtidas através dos órgãos dos sentidos.


6ª MENTE

O Poder de integrar os cinco sentidos e fazer um julgamento de forma abrangente.
Exemplo: Algo bonito, mas com um péssimo odor, naturalmente rejeitamos.


7ª MANAS

Esta representa o poder do pensamento. Ao invés de fazer julgamentos sobre as coisas percebidas pelos cinco sentidos, essa consciência procura encontrar ordem e leis dentro delas, à luz das experiências passadas e das circunstâncias externas. É característica exclusiva dos seres humanos.


8ª ALAYA

Significa repositório ou deposito, porque todas as experiências passadas – CARMAS – são depositadas aqui. Essa consciência está oculta nas profundezas da vida humana; é o inconsciente, descoberto por Sigmund Freud, através de suas análises dos sonhos. Esse repositório arquiva as impressões recebidas pela mente e, simultaneamente, produz novas ações mentais. Portanto todas as ações da vida, as quais ocorrem sob a lei da causalidade, surgem do domínio desta consciência, que permanece  durante as diversas existências, percorrendo o ciclo de nascimento e morte do indivíduo. A força de nossas ações depositadas como energia latente não diminui nem desaparece por si só.
Quando a pessoa encontra o estímulo apropriado, seu efeito aparecerá, invariavelmente.
As ações cármicas, positivas e negativas, continuarão a existir na ALAYA até que, ativadas por estímulos externos, manifestar-se-ão com os efeitos correspondentes. Assim, as ações do passado exercem influência na vida presente enquanto a vida presente formará por sua vez, o futuro.
A rigorosidade da lei causal é representada, simbolicamente, nas escrituras budistas através das figuras de Dosho e Domyo, dois mensageiros celestes que acompanham a pessoa desde o momento de seu nascimento e registram todas as suas ações sem esquecer o mínimo detalhe.
O grau do carma que a pessoa forma depende da força da intenção, do seu sentimento. 


9ª AMALA

Significa “imaculada”, embora a oitava consciência possa criar causas tanto boas com más, esta nona consciência, que se encontra na parte mais profunda da vida humana, é livre de todas as impurezas que o indivíduo possa trazer como resultado de suas ações em vidas passadas. Nitiren Daishonin elucidou que a nona consciência é o “eu” essencial que existe em todos nós; é o nosso eterno estado de Buda que se estende do passado sem começo ao infinito futuro. Por encontrar-se no nível mais profundo da vida humana, as manifestações dessa consciência podem alterar ou influenciar as demais positivamente. Neste ponto encontra-se a base da transformação do carma através da sincera prática budista.
A teoria das nove consciências é um tema complexo, mas muito interessante; foi desenvolvido pelo grande mestre Tient’ai da China que permite compreender vários aspectos da vida como a questão do carma e dos sofrimentos.
Acredito que, para compreendermos um princípio ou uma teoria budista, a melhor maneira seja procurarmos primeiro percebê-lo em nossa vida diária. Das nove consciências, as cinco primeiras são fáceis de entender, pois estão associadas às nossas percepções sensitivas: a visão, o tato, o paladar, a audição e o olfato. A sexta refere-se à nossa mente, que integra os cinco sentidos e realiza julgamentos relativamente simples com base em noções gerais. Ela procura encontrar a ordem e as leis valendo-se de experiências passadas e circunstâncias externas para fazer um julgamento. Nossas ações diárias são frutos do funcionamento integrado dessas seis consciências.
Associando-se à teoria dos dez mundos ou dez estados de vida, elas corresponderiam aos seis primeiros mundos ou seis caminhos: Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranqüilidade e Alegria.
Para melhor compreensão, poderia citar como exemplos as ações de abrir a torneira ou apagar a luz. Essas ações remontam a um conhecimento que adquirimos em algum momento, talvez na infância, em que ficou registrado que, se girarmos a torneira, sairá água, ou que a luz acenderá se apertarmos o interruptor. Sabemos distinguir cores, aromas, formas, sons e sabores porque tivemos experiências.
Todas essas informações ficam armazenadas e, sempre que necessário, são processadas em nossas mentes para que formulemos nossas ações. Em resumo, as seis primeiras consciências são como funções que se manifestam a todo instante em resposta às nossas atividades e necessidades humanas.
A mente é um assunto vasto e fascinante. Mesmo hoje, apesar de todo desenvolvimento tecnológico e científico, o funcionamento da mente humana é ainda um dos mistérios mais intrigantes e complexos a serem desvendados pela Ciência. E o budismo, muito antes do surgimento dos computadores, psicanalistas e psicólogos, já abordava esse assunto, elaborando uma teoria profunda para explicar várias questões relacionadas à vida e à felicidade das pessoas.
Quanto mais estudamos o budismo, mais reconhecemos a sua profundidade, e conforme compreendemos os princípios budistas e a relação que existe entre eles, passamos a enxergar nossa vida de uma perspectiva mais elevada e a entender as diversas circunstâncias de nosso dia-a-dia. A teoria das nove consciências é importante por explicar a origem de nossos sofrimentos, o que nos leva a agir de uma determinada maneira ou ter uma determinada reação diante dos acontecimentos do cotidiano, a influência das tendências cármicas na nossa vida, ou seja, tem tudo a ver com aquilo que somos.
Por meio dessa teoria, compreendemos melhor como o Nam-myoho-rengue-kyo age em nossa vida e como ele possibilita todas as pessoas a tornarem-se felizes, transformando tendências de vida negativas em positivas e realizando a revolução humana.
Ao iniciar a prática budista, geralmente os pontos que mais interessam às pessoas referem-se à morte, a Deus e ao carma. Principalmente as pessoas que abraçam outras crenças ocidentais têm certa resistência em aceitar que todos os sofrimentos da vida presente decorrem de causas feitas por ela mesma, nesta e em existências passadas. Primeiro, porque para muitos, a idéia de vida eterna é novidade; segundo, porque acostumaram a acreditar que sua vida era completamente guiada e determinada por fatores externos, como desígnios de um ser superior. Então, assumir a responsabilidade de todos os seus problemas é muitas vezes revoltante, por achar injusto ter de sofrer devido a algo que um “outro” fez no passado e de não se recordar de ter feito algo que mereça tal “castigo”. Muitas vezes nos pegamos com lamentações como: “Puxa, nós não merecemos passar por tudo isto que estamos passando. Ninguém merece passar por tanto sofrimento”. Se estivermos passando por qualquer tipo de problema é porque existe uma causa para isso em nossa vida. Enquanto não cortarmos a raiz do problema, ela sempre se manifestará. Por meio da consciência e da seriedade perante a vida, não permitimos ficar passivos, mesmo diante dos piores obstáculos. Pelo contrário, sentimos vontade de nos empenhar ainda mais para vencer tudo, porque sabemos que somos capazes.
A oitava consciência, alaya (em sânscrito), é o repositório do carma de todas as nossas existências, é onde ficam guardados todos os registros de nossas causas. Por essa razão, não adianta falar mal nem espernear. È claro que não nos recordamos de nada, mas tudo o que fizemos, falamos e pensamos, todas as causas feitas em nossa existência infinita em todos os seus ciclos de nascimento e morte estão marcadinhos ali. Nesse domínio, que se encontra nas profundezas insondáveis da nossa vida, milhões de registros de registros tanto bons como maus estão guardados e não podem ser transformados simplesmente por força do pensamento, por mais intenso que seja. Essa consciência corresponde ao estado de vida de Bodhisattva, que está constantemente em luta contra o mal interno por meio da prática pelo bem das outras pessoas. Somente quando rompemos as barreiras do egoísmo e dedicamos a vida aos outros é que podemos afetar verdadeiramente esta consciência alaya.
É na nona consciência, amala (em sânscrito)  que todas as pessoas se igualam. Nessa consciência, encontramos o estado imaculado de nossa vida, o estado de Buda, que todos possuem. É a que possibilita todos tornarem-se felizes, independentemente das diferenças que possam existir em todas as demais consciências.
Não só a oitava consciência, na qual estão todos os nossos registros de ações, mas a sétima, a mana (em sânscrito), que tem grande influencia em nossa vida. Esta consciência comanda nossas sensações e nossos preconceitos. É uma função do pensamento que opera por nossa própria iniciativa, independentemente das condições externas e está profundamente ligada ao nosso ego. Esta consciência corresponde aos estados de Erudição e Absorção pela sua propensão ao egoísmo, à arrogância e ao auto apego. Pode ser comparada ao que Freud definiu como inconsciente individual. Nessa consciência é que manifestamos, por exemplo, a maneira como concebemos um determinado fato ou como nos portamos diante de uma situação. É conhecida também como a consciência do “apego” e do “amor-próprio”. Associada à tendência cármica que se encontra na oitava consciência é a consciência mano que nos leva a reagir de determinado modo e que produzirá novas causas em nossas vidas. É um pouco complicado, mas é algo que podemos perceber se prestarmos atenção ao nosso redor. Por que para um determinado acontecimento às pessoas agem de maneiras distintas? É porque cada indivíduo tem uma maneira diferente de conceber aquele acontecimento em sua mente, cada um sente de maneira diferente e a reação é expressa de acorde com essa sensação. Posso citar um exemplo que acredito tenha acontecido com a maioria das pessoas: sentir uma antipatia imediata ou uma grande simpatia por alguém que acabamos de conhecer. Por que isso acontece, se nem sabemos como essa pessoa é? Essa é uma reação baseada em algo que está gravado nas profundezas da mente que remonta a algum outro momento da vida. Alguma informação previamente registrada em nossa vida, um preconceito, que nos informa que alguém com aquela característica ou nos fez sentir muito bem ou muito mal no passado e é isso que nos vem à tona. Essa sensação determina a maneira como iremos nos relacionar com essa pessoa. Essas coisas acontecem mesmo. São sensações que temos, mesmo sem saber a causa. Nossos medos e gostos, nossas escolhas e cismas, tudo é reflexo da associação entre as consciências manas e alaya que comandam as outras seis primeiras consciências. Estão no limiar entre a consciência e a subconsciência. Ela reflete em nossas ações, na forma de pensamentos, falas e atos, e são essas novas causas que produzirão novos efeitos, nesse ciclo interminável que interfere em nossa vida.
O pior de tudo é que, geralmente, se não procuramos elevar constantemente nosso estado de vida por meio da prática, essas ações são “puxadas” pelas nossas tendências negativas, e acabamos fazendo novas más causas e assim por diante. É como uma grande bola de neve. É necessário também termos consciência das nossas fraquezas e tendências negativas e da importância de procurarmos mudá-las. Não adianta meditar por horas ou orar, para depois sairmos por aí falando da vida dos outros ou sendo estúpidos ou arrogantes com as pessoas. Temos que desafiar na realização da prática sim, mas também temos de vencer as maldades que procuram desnortear nossa mente, e para isso precisamos de coragem e sabedoria para perceber nossos erros e corrigi-los, enfim, para realizar a própria revolução humana. Enquanto deixarmos que nossas tendências cármicas nos dominem, continuaremos errando sem perceber ou podemos chegar a ponto de não entendermos mais que aquilo que estamos fazendo está errado. Com essa consciência perturbada, toda a ação tem explicações e são razoáveis. Conseguimos encontrar lógica nas situações mais absurdas que a pessoa mesmo cria. A essa altura, totalmente tomada pelos estados mais baixos de vida, a pessoa jamais admitirá falhas de sua parte. Sempre culpará os outros pelos seus fracassos, subjugará os mais fracos e os manipulará como simples objetos, e estará permanentemente insatisfeito e arquitetando novos planos maquiavélicos para derrubar aqueles que considera uma ameaça para si com um ódio insaciável. São pessoas de natureza egocêntricas e corrompidas. Então fica muito claro que o mais importante é o que está em nosso coração, nossa fé e prática sincera, se estamos realmente buscando, a todo momento, nos desenvolver como seres humanos e se nosso objetivo é nos tornar um valor humano para a paz do mundo. As aparências podem enganar por algum tempo, mas a lei de causa e efeito é verdadeira e rigorosa e transparece em nossa vida, em nosso aspecto e em nossas atitudes claramente. Quando encontramos pessoas, que aos olhos de todos estão realizando sua prática regularmente, porém sua vida não apresenta uma mudança significativa mesmo após anos ou que, de tempos em tempos, vêem-se à volta dos mesmos problemas anteriores.
É porque talvez continuem alimentando alguma tendência negativa de sua vida que não conseguem reconhecer ou, mesmo percebendo, não conseguem desafiar e mudar. E essa tendência pode ser até algo simples e aparentemente inofensivo como a preguiça de acordar cedo, estudar, caminhar, ler, ou ainda uma característica de sua personalidade como fraqueza, timidez, avareza, ficar facilmente irado, irresponsabilidade, ansiedade, falta de coragem, insensatez, escapismo, insegurança, autocomiseração, apego, baixa auto-estima, irracionalidade, materialismo, sentimentalismo etc. Em pequenas doses e aliados a um senso comum, são aspectos que qualquer mortal comum manifesta vez ou outra. Contudo, caso se tornarem à característica principal de uma pessoa, podem arruinar a sua vida.
O que determina tudo isso são as nossas consciências, principalmente a sétima e a oitava, que aliam nossas sensações ao nosso repositório do carma e incidem sobre nossas atitudes. É por isso que esse assunto é muito interessante e importante, porque tem a ver com a nossa maneira de ser que está intimamente ligada com nossa atual condição de vida e , por tabela, com a futura.
Nossos pensamentos operam a partir dessas consciências, do nosso interior. Então nossa transformação também tem de se iniciar a partir do nosso interior. O budismo elucida a existência da nona, o nosso estado de vida imaculado de infinita sabedoria. Somente quando baseamos nossos pensamentos, palavras e ações sob a luz dessa nona consciência é que conseguimos direcionar nossa vida para verdadeira felicidade. Sob essa condição, todas as nossas características, até mesmo as citadas há pouco, podem ser transformadas em virtudes ou fatores positivos para nossa vida. É dessa forma que assumimos as rédeas de nosso futuro e que nos desatamos das amarras do carma. É isso que buscamos em nossa vida. Mas como alcançar essa nona consciência, se todos os nossos pensamentos e ações são influenciados pelas outras consciências?
A grande benevolência de Nitiren Daishonin é a reposta. Nitiren Daishonin revelou a essência do Sutra de Lotus, o Nam-myoho-rengue-kyo e inscreveu o Daí-Gohonzon justamente para que qualquer pessoa pudesse alcançar essa nona consciência que ele mesmo havia experimentado e manifestado. Entender que o Nam-myoho-rengue-kyo e o Gohonzon existem dentro de nós e que podemos transformar todas as circunstâncias negativas e viver plenamente é o ponto fundamental do Budismo de Nitiren Daishonin.
Em “Resposta a Dama Nitimyo”, Nitiren diz: “Nunca procure o Gohonzon em outros lugares. Ele somente pode habitar o coração das pessoas comuns como nós que abraçam o Sutra de Lotus e recitam o Nam-Myoho-rengue-kyo. O corpo é o palácio da nona consciência e a entidade que fundamentalmente reina sobre todas as funções espirituais do homem.” (As Escrituras de Nitirem Daishonin, vol. 1, pág. 325.) Essa frase expressa isso claramente. A felicidade ou infelicidade depende daquilo que está dentro de nós, ou seja, depende somente de nós. A maneira como buscamos essa felicidade é o que determinará o resultado, que será evidente em todos os aspectos de nossa vida. Enquanto procurarmos nossa felicidade em alguma coisa, algum lugar ou alguém, ficaremos vagando e patinando infinitamente em nossas ilusões projetadas pelas consciências ligadas ao nosso carma. Como foi dito há pouco, somente quando baseamos nossa vida no estado de Buda da nona consciência é que ela passa a ser direcionada para o caminho da verdadeira felicidade com total liberdade. É como uma luz forte que ilumina o trajeto totalmente escuro no qual até então percorríamos devagar tateando com medo, ansiedade, dúvida e hesitação.
Imbuir-se de coragem e sentar-se diante do Gohonzon (Objeto de devoção), e realizar o Gongyo(importante cerimônia diante do Buda Original – diante da nossa vida) e recitar o Nam-myoho-rengue-kyo (Daimoku) é o primeiro passo para a nossa transformação e para a nossa felicidade, mas ainda não é tudo.
Nitiren Daishonin afirma que “não existe felicidade maior na vida do que recitar o Nam-myoho-rengue-kyo” e Nitikan Shonin expressou que “as orações do devoto do Sutra de Lotus jamais ficam sem serem concretizadas” e isso sem dúvida é a grande verdade. Contudo, acredito que existem fatores importantes que condicionam a qualidade e o tempo para que os resultados de nossas orações surjam. A determinação, ou itinen (matéria que posteriormente mandarei), é algo que não pode faltar, pois é o que possibilita a transformação de todas as circunstâncias a nossa volta. Uma firme oração com a decisão de vencer qualquer obstáculo já é um grande passo para a vitória. A sinceridade e a seriedade também são fundamentais. As verdadeiras intenções, o que está em nosso coração é o que direciona a nossa mente e isso refletem em nossa vida como um todo.
O que se passa em nossa mente quando oramos?
Todas as contas para pagar, o barulho da televisão, a poeira sobre o móvel, a posição das velas, a hora, o telefone, ou realmente conseguimos ver a nossa vida refletida no Gohonzon e estamos decididos a nos dedicar pelo kossen-rufu (paz mundial). Não é porque oramos o Daimoku diante do Gohonzon que automaticamente conseguimos atingir a nossa consciência amala, o estado de Buda. É o itinen que abre esse caminho. É a firme determinação de vencer nossas fraquezas e dificuldades, de servir realmente para o bem das outras pessoas e da sociedade, que fará com que esse grandioso estado de vida que possuímos inerente se manifeste. É por meio dessa disposição que surgirão a sabedoria e a coragem para superar todas as questões. Com certeza, por meio desse itinen, podemos manifestar a grande sabedoria do Buda e enxergar a solução para todos os nossos problemas. Enquanto estamos presos às correntes do carma, é como se estivéssemos em meio a um caos, sem saber como sair e para onde ir. Quando manifestamos a sabedoria do Buda é como se nos elevássemos a um nível muito acima desse ambiente repleto de problemas e pudéssemos observar claramente todos os caminhos, todas as oportunidades e saídas.
Antigamente utilizava-se de maneira displicente o termo kyoti myogo (fusão da realidade e sabedoria) como se pudéssemos, a todo instante, realizar um Daimoku de profunda ligação com a Lei Mística que permeia todo o Universo, capaz de influenciar as três existências do passado, presente e futuro. Sem dúvida, acredito que todo o Daimoku realizado em nossa vida fica registrado positivamente como uma espécie de grande poupança que nos direciona para a felicidade. Mas nós só conseguimos recitar aquele Daimoku, capaz de mudar até mesmo nosso aspecto e nosso destino, num instante específico, quando nos encontramos em algum momento muito crítico ou decisivo.      Eu, pelo menos, sinto que aquele Daimoku que realizei quando minha vida estava em jogo, há um ano e meio, foi diferente de todos o que já havia recitado até então, e isso mudou muito a minha maneira de ser e de encarar a vida.


Bibliografia:

Livro: “Vida Um Enigma, uma Jóia Preciosa” Daisaku Ikeda
Terceira Civilização nº 328 Dezembro 1995.
Terceira Civilização nº420 e 421 – Agosto e Setembro 2003.

Pesquisado e organizado por:
Gracilene Maria Daniel de Souza

terça-feira, 15 de março de 2011

Ciência da Meditação

Do livro: A Ciência da Meditação
Rohit Mehta
Editora Teosófica – Brasília – DF
Janeiro/2009
Páginas: 26, 27, 28, 29, 30 e 31.

[...] O cérebro humano, como está constituído hoje, pode estar perdendo muitas das transmissões enviadas pela estação de rádio que é a mente humana. O professor Penfield, que é uma grande autoridade em cérebro humano, enquanto concorda que haja muitos mecanismos demonstráveis no cérebro que funcionam de modo bem mecânico quando chamados à ação, pergunta:

      Mas qual é o agente que requisita estes mecanismos, escolhendo um em detrimento de outro? Será um outro mecanismo ou existe na mente algo de essência diferente?... Concluindo, deve-se dizer que não existe ainda qualquer prova científica de que o cérebro possa controlar a mente ou explica-la completamente. As suposições dos materialistas jamais foram consubstanciadas.

            A afirmação acima, feita por alguém que é uma autoridade no assunto cérebro humano, indica a necessidade de se postular a existência de alguma entidade que tenha o poder de pôr um mecanismo cerebral em movimento em detrimento de outro tal mecanismo, como um dispositivo mais adequado para ir ao encontro das necessidades de um estímulo recebido ou um desafio imposto pela vida. Vivemos numa era de computação mecânica onde têm sido produzidos computadores memoráveis que resolvem intrincados problemas em questão de poucos segundos ou minutos. Embora isso seja verdade, ainda não foi desenvolvido um computador estabelecedor de metas. Deve-se dar ao computador uma meta ou uma direção, e quando isso é feito ele pode mover-se com extraordinária velocidade para produzir o resultado. Não há dúvida que o cérebro age como um computador, mas ele tem de ser apropriadamente alimentado. Não apenas isso, é preciso dar-lhe uma meta ou uma direção para onde se mover. Para entender o mecanismo estabelecedor de metas e solucionador de problemas, devemos examinar o funcionamento tanto da mente como do cérebro. Isso é essencial se quisermos lançar as bases apropriadas para se erigir a estupenda estrutura da meditação.
            Diz-se que enquanto o cérebro assemelha-se a um computador, não há computador que seja como o cérebro. O mecanismo do cérebro é por demais impressionante. Possui inteligência notável para lidar com as variadas situações da vida. Ele cuida das necessidades do corpo de uma maneira difícil de entender. John Pfeiffer diz em seu livro Human Brain (O cérebro Humano):

... o açúcar é uma das substâncias construtoras da energia do corpo e devemos ingeri-lo na quantidade certa, nem mais nem menos. Caminhamos sobre uma corda bamba entre o coma e a convulsão, resultado de possíveis mudanças relativamente leves nos níveis de açúcar no sangue. Mas o cérebro geralmente recebe informação antecipada sobre problemas pendentes. Ele recebe um fluxo constante de informações sobre os níveis correntes de açúcar, e faz os ajustamentos de maneira tão eficaz quanto um piloto guiando uma aeroplano atravéz de uma tempestade. Se houver açúcar demais, o excesso é queimado e excretado. Se houver de menos, o fígado é instruído a liberar a quantidade apropriada de reserva de açúcar. Observe no que implica tal controle. O cérebro deve saber o nível de açúcar adequado, cerca de 30ml para cada meio litro de sangue, em média. Ele deve seguir padrões semelhantes na regulagem da respiração (a maioria de nós inspira e expira dezoito a vinte vezes por minuto) e dos batimentos cardíacos (cerca de 70 vezes por minuto) e na manutenção da temperatura do corpo em 36 graus Celsius.

            Podem ser citados muitos exemplos semelhantes denotando a notável engenhosidade do cérebro humano em lidar com a regulação apropriada das necessidades corporais. O bem-estar biológico do corpo está perfeitamente seguro nas mãos deste notável instrumento construído pela natureza, a saber, o cérebro humano.
            Temos que lembrar que o cérebro humano tem dois componentes, um, o cérebro velho e o outro, o cérebro novo. O cérebro velho é a nossa herança da existência animal, ou pode ser, até mesmo anterior a isso. Mas lá está o cérebro novo, o córtex, que é o resultado da evolução humana, pertence inteiramente à humanidade, e é, portanto, comparativamente jovem. É um órgão em crescimento uma vez que a humanidade ainda está na sua infância, ou somente no estágio pós-infantil em termos de processo evolucionário. O cérebro forma uma parte muito importante em toda a historia evolucionária. A evolução, como é estudada pela ciência, nos diz que o cérebro tem sido o fator determinante no jogo da sobrevivência. A historia evolucionaria revela que houve um tempo em que a terra foi dominada por criaturas enormes e possantes, como os dinossauros. Houve um período na história da natureza quando esses gigantes moviam-se como se a terra existisse somente para eles. Todavia, quando abrimos o capitulo seguinte da historia evolucionaria descobrimos que essas criaturas enormes desapareceram e o seu lugar foi tomado por criaturas diminutas cuja existência não era sequer notada por esses animais gigantescos. Qual foi o segredo desta estranha substituição dos gigantes por criaturas tão pequenas e diminutas? O segredo deve ser encontrado no fato de que enquanto aqueles tinham cérebros com adaptabilidade muito limitada, esses tinham cérebros com maior poder de ajustamento. E na luta pela sobrevivência, aqueles que tinham maior capacidade cerebral continuaram a existir, enquanto aqueles com menor capacidade foram varridos do mapa.  Perderam o jogo da sobrevivência. Assim, o papel do cérebro é de tal que ele exerce uma influência determinante nas tendências do movimento evolucionário. Aqueles que tinham cérebros pequenos tinham uma gama limitada de adaptação. Enquanto as mudanças geológicas ou de outro tipo foram lentas sobre a face da terra, não surgiu a questão da adaptação mais ampla e mutante. Quando as condições na Terra eram comparativamente estáticas, as criaturas que tinham sobrevivido até então podiam continuar mesmo com a limitada capacidade cerebral. Mas quando as mudanças na Terra tornaram-se rápidas, o jogo da sobrevivência tornou-se cada vez mais feroz. Essas mudanças necessitavam capacidade de ajustamento e adaptação mais rápida e mais ampla. Isso acarretou o desenvolvimento de maior capacidade cerebral, pois o cérebro é o único instrumento de adaptação às condições exteriores da vida. Durante certos momentos críticos da história evolucionária, sempre surgiu a necessidade de uma adaptação mais nova. É durante tais períodos críticos e crises geológicas, que um maior poder de adaptação cerebral torna-se necessário. Na luta pela existência, foi a maior capacidade cerebral que assegurou a sobrevivência. Desse modo o cérebro exerceu uma poderosa influencia na luta evolucionária. O homem foi bem-sucedido contra a besta por causa deste maior poder cerebral. Em força muscular o homem era fraco comparado aos animais fortes e poderosos da floresta. Mas a maior capacidade cerebral do homem permitiu-lhe sair vitorioso no jogo da adaptação. O homem possui um cérebro cujos poderes são por demais surpreendentes, e ainda assim o cérebro novo é apenas uma criança, capaz de infinito crescimento nos seus poderes de ajustamento e adaptação.
            É um fato estabelecido que exista um estreito relacionamento entre mente e corpo. O predomínio das doenças psicossomáticas tem provado que mente e corpo estão intimamente ligados um ao outro. Não é apenas o fato de que a mente afeta o corpo, mas é também o fato de que o corpo afeta a mente. Mesmo nas disciplinas religiosas tradicionais pede-se ao aspirante para ser cuidadoso com respeito ao seu alimento, pois o alimento parece afetar a condição da mente. Acredita-se que a alimentação quente e estimulante excite a mente a ponto de ela não poder perseguir suas profundas atividades reflexivas. Pede-se ao homem que medita para abster-se de certos tipos de alimentação e bebida. Isso mostra que existe um inter-relacionamento entre a mente e o corpo. Não é apenas o corpo que afeta a mente, isso se dá também ao contrário – a mente afetando o corpo.
            Ao elevar-se aos reinos metafísico, estético ou matemático, a mente não pode também deixar de afetar o cérebro enquanto ele estiver engajado nessas atividades. Se o cérebro não for afetado, então as aventuras da mente estão fadadas a se tornarem estéreis, pois não haverá efeito correspondente sobre as ações e os comportamentos físicos da pessoa. Uma experiência espiritual necessita refletir-se em padrões e ações corporais. E assim, para uma vida espiritual e intelectual saudável devem, mente e corpo, funcionar juntos. Se a mente estiver ativa e o cérebro passivo e sem responder, então a pessoa está fadada a sentir-se frustrada. De modo semelhante se o cérebro estiver muito ativo e a mente estiver perdida na inércia do passado, então isso também faria surgir um estado doentio. A mente e o cérebro devem encontrar-se no mesmo nível, ao mesmo tempo e com a mesma intensidade, se a pessoa quiser levar uma vida saudável e criativa.

[...] A situação humana hoje em dia é tal que uma nova espécie de homem deve nascer se a presente crise de consciência tiver que ser resolvida. A nova espécie de homem certamente será fundamentalmente psicológica. Mas uma espécie psicológica não pode vir a existir sem uma mudança apropriada no nível do cérebro humano. As atividades da mente e do cérebro devem sincronizar-se, pois a nova espécie psicológica de homem deve também funcionar nos níveis físico e biológico. Se o mecanismo biológico não corresponder ao mecanismo físico, então um conflito novo e mais violento deve surgir. E já se ouvem os ribombos de um tal conflito na civilização de hoje.
            Devemos interrogar quanto à natureza do mecanismo biológico antes de considerarmos seriamente as mudanças no mecanismo mental, pois para se poder ir longe deve-se começar perto. E certamente que o cérebro humano é o ponto mais próximo de onde se pode começar a estupenda jornada da escalada do Everest espiritual da vida. Mas antes de podermos considerar a questão do novo mecanismo biológico, devemos compreender com clareza o papel e as funções do cérebro humano com referência à jornada espiritual da pessoa.

“O inferno é a Terra da Luz Tranqüila”

Budas em vida e na morte: atingir o estado de Buda na presente forma
significa desfrutar alegria tanto em vida como na morte
TERCEIRA CIVILIZAÇÃO, EDIÇÃO Nº 485, PÁG. 54, JANEIRO DE 2009.
por Daisaku Ikeda
Recebi seus vários oferecimentos. Nada me deixaria mais feliz do que saber que a senhora tem se comunicado com o falecido Ueno [seu marido Nanjo Hyoe Shitiro]; no entanto, sei que isso é impossível. A menos que fosse em sonho, é improvável que a senhora o tenha visto. A não ser que fosse uma ilusão, como a senhora poderia tê-lo visto? Com certeza, seu falecido marido habita a terra pura do Pico da Águia, ouvindo e observando este mundo saha dia e noite. A senhora, esposa de Shitiro, e os filhos possuem apenas os sentidos de um mortal comum, por isso, não podem vê-lo nem ouvi-lo; porém, esteja certa de que, no futuro, vocês se reunirão [no Pico da Águia].
O número de homens com quem a senhora selou votos matrimoniais durante todas as suas existências passadas deve superar até os grãos de areia do oceano. No entanto, desta vez, esses votos foram feitos com seu verdadeiro marido. A razão disso é que, por meio do incentivo dele, a senhora veio a se tornar uma praticante do Sutra de Lótus. Sendo assim, deve reverenciá-lo como um buda. Quando vivo, ele foi um buda em vida, e agora é um buda na morte. Ele é um buda tanto em vida como na morte. Esse é o significado da doutrina fundamental “atingir o estado de Buda na presente forma”. O quarto volume do Sutra de Lótus afirma: “A pessoa que mantém este [sutra] está mantendo o corpo do Buda”.
Tanto a terra pura como o inferno não existem fora de nossa vida; eles somente podem ser encontrados em nosso coração. A pessoa que desperta para isso é chamada de Buda; e a que ignora é chamada de mortal comum. O Sutra de Lótus revela essa verdade, e quem abraça esse sutra perceberá que o inferno é a própria Terra da Luz Tranqüila. (...)
Esse ensino é de importância fundamental; no entanto, vou compartilhá-lo com a senhora assim como o Bodhisattva Manjushri expôs o ensino secreto da possibilidade de iluminação na presente forma para a filha do Rei Dragão. Depois de ouvir sobre esse ensino, empenhe-se ainda mais na fé. A pessoa que, ao ouvir os ensinos do Sutra de Lótus, fortalece ainda mais a fé, é um verdadeiro seguidor do Caminho. Tient’ai declara: “Do índigo se obtém um azul muito mais intenso”. Essa passagem significa que se mergulharmos algo repetidas vezes em tintura de índigo, o resultado será um azul ainda mais forte do que o das folhas da planta. O Sutra de Lótus é como o índigo, e o poder da fé de uma pessoa é como o azul que se torna cada vez mais forte. (...)
Como seu falecido marido era um devoto desse sutra, é certo que atingiu a iluminação exatamente como ele era. Por essa razão, não precisa ficar demasiadamente aflita por causa da morte dele. Por outro lado, esse sentimento é algo natural nas pessoas comuns. Se até os sábios ficam entristecidos algumas vezes, será que a tristeza de todos os grandes discípulos iluminados do Buda Sakyamuni, no momento da morte dele, não teve como propósito mostrar o comportamento próprio das pessoas comuns?
Faça o máximo para realizar boas ações em benefício de seu falecido marido. As palavras de um sábio do passado também nos ensina: “Deve basear a mente na nona consciência e conduzir a prática com as seis consciências”. Como isso também é verdadeiro! Nesta carta, revelei meus ensinos que há muito tempo guardo como tesouros. Grave-os profundamente em seu coração.
(The Writings of Nichiren Daishonin [WND], v. 1, pp. 456-458.)

Explanação
Em 1950, meu mestre Jossei Toda, enfrentando circunstâncias extremamente difíceis em sua empresa, renunciou como diretor-geral da Soka Gakkai para proteger a organização de qualquer repercussão negativa que pudesse afetá-la. As revigorantes reuniões de estudo do Gosho, realizadas na Sede Central da Soka Gakkai com a presença de dezenas de pessoas, tornaram-se menos freqüentes. No entanto, nesse período tumultuado, ele arranjou tempo para explanar os escritos de Nitiren Daishonin a pequenos grupos de pessoas que continuavam a participar. O Sr. Toda disse em tom solene: “Dedicarei cada gota de minhas energias àqueles que quiserem estudar, mesmo que seja para uma única pessoa”. Ele também declarou: “Mesmo que eu caísse no inferno, não me preocuparia o mínimo. Simplesmente transmitiria o ensino correto aos que estivessem ali e transformaria o lugar na Terra da Luz Tranqüila. Porém, preocupo-me com o que possa acontecer a vocês que são principiantes na fé”.
Por piores que fossem as adversidades enfrentadas, por mais exausto que estivesse, o Sr. Toda munia-se de energia e benevolência, com o desejo de encorajar os que possuíam espírito de procura, seja um membro combatendo o carma negativo e querendo obter orientação na fé, seja um jovem ansiando por aprender sobre o budismo.
Tempos mais tarde, o presidente Toda solucionou os problemas financeiros e, em 1951, tomou posse como presidente da Soka Gakkai. Pouco antes disso, ele havia mudado o escritório da empresa para uma sala do edifício Itigaya, perto da estação de mesmo nome, em Tóquio. Ele também estabeleceu uma “filial” da sede da Soka Gakkai numa outra pequena sala, dentro do mesmo prédio. Ali, dedicava várias horas do dia para oferecer orientação e encorajamento aos membros que o procuravam.
O Budismo de Nitiren Daishonin possibilita às pessoas que mais sofrem conquistar elevada felicidade. A Lei Mística tem o poder de transformar até mesmo o inferno na Terra da Luz Tranqüila.
Ouvi um depoimento maravilhoso a respeito de uma ex-recepcionista do edifício Itigaya. Um membro da Divisão Feminina que era muito amiga dessa pessoa transmitiu-me os comentários.
A recepcionista lembrava-se claramente das circunstâncias naqueles dias. Muitas pessoas procuravam o escritório que fazia às vezes de sede. Os que chegavam cabisbaixos e esgotados por causa dos problemas e preocupações, saíam como se fossem uma outra pessoa, com um sorriso brilhante estampado no rosto. E, conforme conta essa senhora, a transformação inexplicável sempre a deixava impressionada.
Tanto Tsunessaburo Makiguti como Jossei Toda, os dois primeiros presidentes da Soka Gakkai, ensinaram um modo de vida orientado a acender no coração das pessoas a chama da coragem e da convicção, sempre inclinado a iluminar o caminho para um amigo ou uma família, de forma que eles conseguissem ver o carma como missão. Incentivar incansavelmente as pessoas, inspirar cada uma delas a se levantar para cumprir juntas a missão mais nobre de todas, o Kossen-rufu mundial — eis o espírito primordial que permeia a relação de mestre e discípulo na Soka Gakkai. Enquanto esse espírito existir, a Soka Gakkai continuará a se desenvolver.
Nesta oportunidade, estudaremos o escrito “O inferno é a Terra da Luz Tranqüila” e aprenderemos com a luta de Daishonin, uma batalha que ele realizou durante toda a sua vida para encorajar os seguidores.
Recebi seus vários oferecimentos. Nada me deixaria mais feliz do que saber que a senhora tem se comunicado com o falecido Ueno [seu marido Nanjo Hyoe Shitiro];1 no entanto, sei que isso é impossível. A menos que fosse em sonho, é improvável que a senhora o tenha visto. A não ser que fosse uma ilusão, como a senhora poderia tê-lo visto? Com certeza, seu falecido marido habita a terra pura do Pico da Águia,2 ouvindo e observando este mundo saha3 dia e noite. A senhora, esposa de Shitiro, e os filhos possuem apenas os sentidos de um mortal comum, por isso, não podem vê-lo nem ouvi-lo; porém, esteja certa de que, no futuro, vocês se reunirão [no Pico da Águia]
O número de homens com quem a senhora selou votos matrimoniais durante todas as suas existências passadas deve superar até os grãos de areia do oceano. No entanto, desta vez, esses juramentos foram feitos com seu verdadeiro marido. A razão disso é que, por meio do incentivo dele, a senhora veio a se tornar uma praticante do Sutra de Lótus. Sendo assim, deve reverenciá-lo como um buda. Quando vivo, ele foi um buda em vida, e agora é um buda na morte. Ele é um buda tanto em vida como na morte. Esse é o significado da doutrina fundamental “atingir o estado de Buda na presente forma”.4 O quarto volume do Sutra de Lótus afirma: “A pessoa que mantém este [sutra] está mantendo o corpo do Buda”.5 (WND, v. 1, p. 456.)

Tanto a vida como a morte estão imbuídas de alegria
Nitiren Daishonin afirma: “Quando vivo, ele foi um buda em vida, e agora é um buda na morte”.6 O grande ensino de Daishonin nos possibilita atingir o estado de Buda nesta existência e passar pelo ciclo eterno de nascimento e morte com total liberdade e infinita esperança.
Se nossa vida for repleta de alegria, assim também será nossa morte. E se nossa morte for cheia de júbilo, da mesma forma será nossa próxima existência. Daishonin ensina que o ciclo de nascimento e morte é uma sucessão ininterrupta de alegria, e que a essência da vida está em nos dedicarmos a fazer dessa alegria a nossa realidade e ajudar os outros a fazer o mesmo.
“O inferno é a Terra da Luz Tranqüila” é uma carta endereçada à monja leiga de Ueno, viúva de Nanjo Hyoe Shitiro. Há divergências entre os estudiosos a respeito da data em que a carta foi escrita. Alguns dizem ter sido redigida imediatamente após a morte de Hyoe Shitiro, em 1265. Outros acreditam que tenha sido escrita em 1274, quando Daishonin voltou da Ilha de Sado e foi viver no Monte Minobu, retomando a correspondência assídua com a família Nanjo.
O primeiro membro da família Nanjo a se converter aos ensinos de Daishonin foi Hyoe Shitiro. Vassalo do xogunato de Kamakura e discípulo muito estimado por Daishonin, Shitiro faleceu em 1265 devido a uma grave doença. Seguiu com sinceridade as orientações de seu mestre e manteve a fé na Lei Mística até o fim da vida. Os familiares de Shitiro prosseguiram com a prática budista, sustentando a mesma pureza.
Quando Hyoe Shitiro faleceu, o segundo filho, Tokimitsu7 — que se tornou o chefe da família — tinha apenas 7 anos de idade. Nessa época também, a esposa de Hyoe Shitiro estava esperando o quinto filho. Certamente a dor pela perda do marido foi muito grande. Porém, ela deixou de lado o próprio sofrimento para proteger e criar sozinha os filhos.
Nitiren Daishonin sentiu a tristeza incontida que havia no coração daquela mãe e a encorajou com o sincero desejo de aliviar-lhe o sofrimento. Nesta carta, ele comenta que mesmo que ela conseguisse ver o falecido marido em sonhos, no mundo real estava impossibilitada de manter qualquer comunicação com ele. Daishonin ressalta que, do ponto de vista do budismo, Hyoe Shitiro está na terra pura do Pico da Águia, zelando constantemente pela família. E lhe assegura que, no final, ali se reencontrarão.
Com profundo afeto, Daishonin conforta a monja leiga de Ueno, dizendo-lhe que todos os que compartilham os laços da fé — os companheiros praticantes, os familiares ou os amigos —, sem falta, voltarão a se encontrar.

A terra pura do Pico da Águia é o eterno “lar” da vida
A terra pura do Pico da Águia, da qual Nitiren Daishonin fala, certamente não se refere a nenhum reino lendário como o paraíso ocidental chamado Terra Pura da Perfeita Alegria,8 exposto pela escola budista Terra Pura (Nembutsu). Simplesmente, a terra pura do Pico da Águia representa o estado de Buda do Universo. Nos escritos de Daishonin, lemos estas palavras: “Seu corpo e sua mente permeiam a totalidade do mundo dos fenômenos num único instante”.9 A vida de uma pessoa que falece, tendo praticado firmemente a Lei Mística, entrará em fusão com o estado vasto e ilimitado do Universo e será permeada por uma grande alegria. O presidente Toda dizia que isso era “entrar em fusão com o estado de Buda do Universo”.
Nos escritos de Daishonin, freqüentemente lemos trechos como: “Vamos nos encontrar na terra pura do Pico da Águia”,10 e “Sem falta, tanto a mãe como o filho vão para a terra pura do Pico da Águia”.11
A terra pura do Pico da Águia representa o estado de Buda que pode ser atingido por todos os que mantêm a fé na Lei Mística até o fim da vida. Ali, mestre e discípulo, companheiros de fé, pais e filhos, cônjuges, familiares e todos os que estão unidos por profundos laços de vida, podem celebrar um jubiloso reencontro.
Procedentes do estado de Buda universal, os Bodhisattvas da Terra, aparecem neste mundo saha cheio de problemas, para cumprir a missão de conduzir os seres humanos à iluminação. Depois de cumprir a missão na vida, regressam uma vez mais ao estado de Buda do Universo — à terra pura do Pico da Águia. Esse é o “lar” eterno — na profunda dimensão da vida — dos corajosos Bodhisattvas da Terra, consagrados a propagar amplamente a Lei Mística. Um “lar” habitado por companheiros do tempo sem início.
Ser um “buda em vida” significa evidenciar nosso estado de Buda inato com base nessa consciência, e nos levantarmos com coragem no palco de nossa missão, sem nos afastar da dura realidade cotidiana, não só pela felicidade pessoal mas também pela felicidade dos demais. Ser um “buda na morte” significa entrar no caminho eterno da infinita alegria da Lei12 depois de ter cumprido a missão nesta existência, e empreender a viagem seguinte pelo caminho do bodhisattva para continuar cumprindo o juramento de conduzir as pessoas à iluminação.
O propósito desta existência é desenvolver um elevado estado de vida, por meio do qual possamos sentir verdadeiramente que somos budas em vida e na morte e que tanto uma condição como a outra estão imbuídas de alegria. Em outras palavras, cada momento desta existência é uma luta para consolidar esse estado de vida.
Neste escrito, Daishonin cita uma passagem do Sutra de Lótus: “A pessoa que mantém este [sutra] está mantendo o corpo do Buda”.13 Tal como essa passagem declara, Nanjo Hyoe Shitiro entrou no caminho eterno do nascimento e da morte no mundo do estado de Buda porque perseverou na prática budista e estabeleceu, ao longo de sua existência, essa elevada condição de vida. Daishonin tranqüiliza a monja leiga de Ueno com essas palavras. É como se estivesse dizendo a ela: “Seu falecido marido é, com absoluta certeza, um buda, tal como o Sutra de Lótus afirma”, “Seu marido venceu! Agora é a vez de a senhora vencer!”
Tanto a terra pura como o inferno não existem fora de nossa vida; eles somente podem ser encontrados em nosso coração. A pessoa que desperta para isso é chamada de Buda; e a que ignora é chamada de mortal comum. O Sutra de Lótus revela essa verdade, e quem abraça esse sutra perceberá que o inferno é a própria Terra da Luz Tranqüila.14
(...)
Esse ensino é de importância fundamental; no entanto, vou compartilhá-lo com a senhora assim como o Bodhisattva Manjushri15 expôs o ensino secreto da possibilidade de iluminação na presente forma para a filha do Rei Dragão.16 Depois de ouvir sobre esse ensino, empenhe-se ainda mais na fé. A pessoa que, ao ouvir os ensinos do Sutra de Lótus, fortalece ainda mais a fé, é um verdadeiro seguidor do Caminho. Tient’ai declara: “Do índigo se obtém um azul muito mais intenso”. Esta passagem significa que se mergulharmos algo repetidas vezes em tintura de índigo, o resultado será um azul ainda mais forte que o das folhas da planta. O Sutra de Lótus é como o índigo, e o poder da fé de uma pessoa é como o azul que se torna cada vez mais forte. (WND, v. 1, pp. 456-457.)
O poder benéfico da Lei Mística: transformar o inferno na Terra da Luz Tranqüila. Tanto o inferno como a terra pura existem em nós. Acreditar que ambos existem em outro lugar é ilusão. É isso o que nos ensina Daishonin. Nesse trecho da carta, Nitiren Daishonin encoraja a monja leiga de Ueno com um outro foco. Ele já não diz a ela sobre a iluminação do falecido marido, mas sim sobre a iluminação dela.
As pessoas que praticam o Sutra de Lótus podem comprovar na própria vida o princípio de que “o inferno é a Terra da Luz Tranqüila”. Em um de seus escritos, Daishonin diz a Shijo Kingo que, se fosse necessário para protegê-lo, ele o acompanharia mesmo no inferno. Daishonin diz: “Se o senhor e eu caíssemos no inferno juntos, encontraríamos o Buda Sakyamuni e o Sutra de Lótus ali”.17 Podemos entender na frase que, se Nitiren Daishonin e Sakyamuni estão presentes no Inferno, este deixa de ser inferno para tornar-se a terra do Buda. Nesse caso, os guardiões do inferno18 não atacariam os seguidores do Buda, e Yama, rei do inferno, não teria outra escolha senão proteger o Sutra de Lótus.
O Sutra de Lótus é um ensino capaz de transformar o lugar em que estamos na terra do Buda. Ter fé no Sutra significa empreender esse desafio. Conseqüentemente, é impossível que os seguidores de Daishonin que perseveram na prática do Sutra de Lótus devam sofrer no estado de inferno. A eles está assegurado um estado de vida de absoluta liberdade.
Daishonin queria transmitir esse ponto à monja leiga de Ueno. Muito embora, provavelmente, ela já tivesse escutado várias vezes sobre o princípio de que “o inferno é a Terra da Luz Tranqüila”, Daishonin queria que ela compreendesse esse ensinamento num nível muito mais profundo e que o manifestasse na própria vida. Essas passagens também transmitem o sincero desejo de Daishonin de que a monja leiga se dedicasse à prática budista com uma determinação ainda mais firme.

Atingir o estado de Buda na presente forma é um princípio de esperança e de alegria

A razão de Daishonin ter mencionado o princípio de que “o inferno é a Terra da Luz Tranqüila” foi para que a monja leiga se sentisse confiante de que o marido havia atingido o estado de Buda. Outro motivo foi para ensinar a ela que o estado de Buda existe na própria vida — consciência que lhe daria uma inabalável confiança e inspiração — mesmo enquanto ela lutava corajosamente para criar os filhos sozinha.
Para incentivá-la ainda mais, Daishonin analisa um episódio mencionado no Sutra de Lótus, em que a filha do Rei Dragão atinge o estado de Buda sem mudar a forma física. A pedido de Sakyamuni, no 12º capítulo do Sutra de Lótus, “Devadatta”, o Bodhisattva Manjushri explica sobre o poder benéfico da Lei Mística ao Bodhisattva Sabedoria Acumulada [um seguidor do Buda Muitos Tesouros]. Nesse momento, para oferecer provas concretas de que a Lei Mística permite às pessoas atingir o estado de Buda sem precisar mudar a forma ou o aspecto, convoca e apresenta a filha do Rei Dragão.
Porém, certas pessoas, como o Bodhisattva Sabedoria Acumulada e Shariputra, um dos principais discípulos de Sakyamuni, se negaram a acreditar que uma mulher fosse capaz de manifestar o estado de Buda sem ter de mudar a identidade feminina. Diante desses homens incrédulos, a menina-dragão jura a Sakyamuni: “Haverei de expor as doutrinas do Grande Veículo [o Sutra de Lótus] / para resgatar os seres vivos do sofrimento”.19 Então, perante todos, ela apresenta a prova concreta, atingindo a iluminação tal como é, ou seja, como menina-dragão. Quanto à multidão que testemunha essa façanha, o Sutra descreve: “O coração de todos foi completamente tomado de grande alegria”.20 Repleto de júbilo, eles entraram no Caminho do estado de Buda. Enquanto isso, todos os que duvidavam ficaram admirados com o feito da filha do Rei Dragão. Em silêncio, admitiram a iluminação da jovem. O drama emocionante da menina-dragão, ou seja, a consecução do estado de Buda, irradiou ondas de alegria e esperança a toda a assembléia.
O princípio de “atingir o estado de Buda na presente forma” tem o poder de despertar a esperança e a alegria na vida de todas as pessoas. Nitiren Daishonin ensina essa doutrina fundamental à monja leiga de Ueno, por meio deste escrito, para fazer surgir no coração dela a luz da verdadeira esperança.
O Budismo de Nitiren Daishonin torna realidade os princípios do Sutra de Lótus
“Empenhe-se ainda mais na fé. A pessoa que, ao ouvir os ensinos do Sutra de Lótus, fortalece ainda mais a fé, é um verdadeiro seguidor do Caminho”,21 diz Daishonin à monja leiga de Ueno.
Nitiren Daishonin explica profundos princípios, como “atingir o estado de Buda na presente forma” e “o inferno é a Terra da Luz Tranqüila”, para ajudar seus discípulos a aprofundar a fé. O budismo não é um jogo de palavras nem de conceitos.
Os princípios básicos explicados neste escrito nos ensinam que a fonte de esperança suprema — o estado de Buda — reside dentro de nós. Se aceitarmos isso como verdade em relação a nós, e mantivermos firme essa crença, a escuridão ou a ignorância fundamental22 que obscurece nosso estado de Buda será dissipada, fazendo com que nossa vida brilhe.
Portanto, o mais importante é a fé. Quanto mais aprofundamos a fé, mais nossa vida é tingida pelo tom do estado de Buda. Para ilustrar, Daishonin cita palavras do Grande Mestre Tient’ai, da China: “Do índigo se obtém um azul muito mais intenso”.23
As folhas da planta do índigo são esverdeadas com um ligeiro tom azulado. Mas, se algo é mergulhado várias vezes na tinta obtida dessas folhas, adquire um tom forte de azul. Nossa prática para atingir o estado de Buda nesta existência também é assim.
Por expor esse princípio, o Sutra de Lótus pode ser comparado às folhas da planta de índigo. A prática do Budismo de Nitiren Daishonin, por sua vez, é como submergir algo repetidamente na tinta obtida a partir das folhas. Em outras palavras, no Budismo de Nitiren Daishonin, ao aprofundarmos a fé ouvindo os ensinos e ao nos empenharmos ainda mais na prática, podemos manifestar o estado de Buda e atingir a iluminação nesta existência.
O propósito do estudo dos escritos budistas não é só para compreender o espírito de Daishonin e fortalecer a fé. Ao incorporarmos os profundos princípios filosóficos, podemos adquirir a sólida convicção de que a esperança e a paz residem em nosso próprio coração, e nos dedicar pela própria felicidade e a dos outros. O estudo também nos proporciona coragem para enfrentar as dificuldades por meio do exemplo de Daishonin, que triunfou sobre enormes obstáculos e provações. Eis a chave do estudo prático budista: um estudo que pode se aplicar à vida cotidiana. Tenhamos sempre isso em mente.
Como seu falecido marido era um devoto desse sutra, é certo que atingiu a iluminação exatamente como ele era. Por essa razão, não precisa ficar demasiadamente aflita por causa da morte dele. Por outro lado, esse sentimento é algo natural nas pessoas comuns. Se até os sábios ficam entristecidos algumas vezes, será que a tristeza de todos os grandes discípulos iluminados do Buda Sakyamuni no momento da morte dele, não teve como propósito mostrar o comportamento próprio das pessoas comuns?
Faça o máximo para realizar boas ações em benefício de seu falecido marido. As palavras de um sábio do passado também nos ensina: “Deve basear a mente na nona consciência e conduzir a prática com as seis consciências”.24 Como isso também é verdadeiro! Nesta carta, revelei meus ensinos que há muito tempo guardo como tesouros. Grave-os profundamente em seu coração. (WND, v. 1, p. 458.)

Seguir o caminho de nossa missão, tal como somos
Atingir o estado de Buda tal como cada um é não tem nada a ver com adquirir faculdades sobrenaturais. Significa atingir, como seres humanos, um estado de vida eterno e ilimitado, caracterizado pelas virtudes da eternidade, felicidade, verdadeira identidade e pureza.25
Os benefícios da Lei Mística são imensuráveis. Todas as formas de vida — em qualquer dos Dez Mundos em que se encontrem — são, originalmente, uma entidade da Lei Mística. Portanto, mesmo que uma pessoa se encontre no estado de Inferno, se mudar o foco ou a atitude mental nesse momento, ela manifesta imediatamente o estado mais puro e supremo como entidade da Lei Mística. A isso se refere o princípio de “atingir o estado de Buda na presente forma”.
Naturalmente, a expressão “na presente forma” não significa que atingiremos o estado de Buda quando nos entregamos ao sofrimento ou à indolência. Faz-se necessária uma luta para transformar, momento a momento, o foco de nossa mente. Nitiren Daishonin revelou o Gohonzon, o objeto de devoção, para que qualquer pessoa consiga travar essa luta.
No Gohonzon que inscreveu, Daishonin deu expressão ao supremo estado de vida que ele havia atingido. Os que recitam Nam-myoho-rengue-kyo com fé no Gohonzon, rompem a ignorância e a escuridão que envolve sua vida e fazem surgir de seu ser o estado de Buda, inseparável da Lei Mística.
Acreditar no Gohonzon significa crer que o estado de vida de suprema nobreza manifestado por Daishonin também existe na própria vida. Isso significa perseverar na fé e na prática como devotos do Sutra de Lótus, tal como fez Daishonin. Somente nos empenhando na fé com o mesmo espírito ensinado por Daishonin é que podemos vencer a ignorância ou a escuridão que envolve nossa vida.
Neste escrito, Nitiren Daishonin declara que Hyoe Shitiro, por ter sido devoto do Sutra de Lótus, sem falta, atingiu o estado de Buda tal como ele era. Em outras palavras, por ter sido um devoto do Sutra de Lótus, foi um “buda em vida” e continuou sendo um “buda na morte”. Nesse sentido, Daishonin assegura à monja leiga de Ueno que o falecido marido, assim como experimentou a paz espiritual em vida, também, depois da morte, continuou a habitar o mundo eterno e indestrutível do estado de Buda inerente ao Universo. Com base na profunda visão sobre a verdadeira natureza da vida, ele a encoraja dizendo: “Não há, fundamentalmente, nenhuma razão para afligir-se ou lamentar-se”.

Ser um vencedor no mundo real
Nitiren Daishonin prossegue dizendo que, apesar de as pessoas compreenderem esse ponto intelectualmente, é muito natural que, como seres humanos, sofram pela perda de um ente querido. Ressalta que até os sábios se entristecem em certos momentos. Dessa forma, ele encoraja a monja leiga de Ueno a realizar o máximo de boas ações possível para transmitir os benefícios ao falecido marido. Ou seja, Daishonin pede a ela que converta sua tristeza em oração pela eterna felicidade do marido.
Cada palavra dessa carta parece abraçar afetuosamente a monja leiga de Ueno. Nitiren Daishonin sempre prezava os sentimentos de seus seguidores. Tão vasto quanto o céu ou o oceano, assim é o coração do Buda dos Últimos Dias da Lei.
Nesse trecho, Daishonin pede à monja leiga de Ueno que se dedique ao máximo na fé. Pois, ao sublimar e converter em oração o sofrimento da perda do marido, ela estaria dando passos de avanço na fé que enobreceriam sua vida e lhe permitiriam atingir o estado de Buda. Oferecer orações aos falecidos com base na Lei Mística constitui parte admirável da prática budista.
Não há absolutamente necessidade alguma de fingir diante do Gohonzon. Devemos orar ao Gohonzon tal como somos: com alegria quando estamos felizes, com tristeza quando nos sentimos deprimidos. Consideremos o sofrimento e a alegria como fatos da vida e continuemos recitando o Nam-myoho-rengue-kyo resolutamente até o fim. Mediante o imenso poder da Lei Mística, todas as nossas orações integrarão nossa prática budista.
Haja o que houver, os que continuam recitando convictamente o Nam-myoho-rengue-kyo, atingirão a verdadeira vitória. A pessoa que recita Daimoku com essa postura e manifesta o poder da Lei Mística na vida é, na realidade, um “buda em vida”.
A esse respeito, o Sr. Toda disse: “Ser um buda significa desfrutar total paz espiritual. (...) Como resultado da firme crença no Gohonzon, a vida de uma pessoa doente, por exemplo, adquire completa paz interior. Essa profunda serenidade nos permite sentir alegria pelo simples fato de viver. (...) Não acham que sentir essa alegria absoluta é o verdadeiro significado de ser um buda? Isso não corresponderia a atingir o mesmo estado de vida de Daishonin?”26
Para explicar sobre essa condição de vida à monja leiga de Ueno, Daishonin cita as seguintes palavras: “Deve basear a mente na nona consciência e conduzir a prática com as seis consciências”.27
A “nona consciência” é uma vida livre de quaisquer impurezas, una com a Lei Mística, a verdade suprema. É a natureza inata de Buda que existe em todos os seres. Nossa vida é, inerentemente, um palácio onde habita o “rei da mente”,28 ou a entidade fundamental do ser, conhecida como nona consciência. No Gosho, encontramos a expressão “o palácio da nona consciência, a realidade imutável que rege todas as funções da vida”.29 Daishonin inscreveu essa realidade inerente à nossa vida na forma gráfica do Gohonzon. Portanto, “basear a mente na nona consciência e conduzir a prática com as seis consciências” significa, simplesmente, recitar Nam-myoho-rengue-kyo com fé no Gohonzon.
As “seis consciências” são os cinco sentidos (visão, olfato, audição, paladar e tato) que funcionam em resposta aos estímulos ou fenômenos do mundo circundante, mais a consciência, que integra as percepções dos cinco sentidos. Em outras palavras, as seis consciências expressam nossa vida neste mundo. “Conduzir a prática com as seis consciências” significa estabelecer firmemente o estado de Buda em nossa vida diária, em nosso local de prática. Este é o princípio segundo o qual “a fé manifesta-se na vida diária”.
Poderíamos dizer que “basear a mente na nona consciência e conduzir a prática com as seis consciências” abarca a totalidade de nossas atividades da Soka Gakkai. Isso porque vivemos firmemente alicerçados no estado de Buda e saímos ao encontro das pessoas para transmitir-lhes a Lei Mística e conduzi-las à iluminação em meio a uma sociedade com inúmeros problemas e sofrimentos.
Encorajar outros na fé requer esforços sérios, sinceros e incondicionais. Implica uma poderosa interação com o nível mais profundo da vida, fazendo surgir em cada pessoa a dinâmica dos “três mil mundos num único momento da vida”. É um desafio que exige dedicação, mas por meio do qual polimos e melhoramos nossa própria vida. Esses esforços consolidam nosso estado de Buda, o que nos possibilita ajudar os outros a fazer o mesmo.
Que fonte de força e coragem essa carta deve ter representado para a monja leiga de Ueno!
Anos depois, essa mãe admirável perdeu repentinamente o quinto filho, de 16 anos. Tokimitsu, o segundo filho e chefe da família, também adoeceu gravemente, chegando quase a morrer. Mesmo enfrentando um destino tão doloroso, a monja leiga de Ueno continuou praticando os ensinos de Daishonin. Lutou tenazmente e conquistou uma esplêndida vitória.
Como é maravilhoso lutar na companhia de um mestre da fé, possuidor de uma compreensão tão profunda da visão budista sobre a vida e a morte! O princípio sobre atingir o estado de Buda na presente forma torna-se realidade quando tanto o mestre como o discípulo desfrutam a alegria em vida e também a alegria na morte.

Notas
1. O falecido Ueno, ou Nanjo Hyoe Shitiro, era administrador da Vila de Ueno, no distrito Fuji, e vassalo do xogunato de Kamakura. Foi seguidor da escola Terra Pura (Nembutsu), mas quando ouviu Nitiren Daishonin pregar, decidiu adotá-lo como mestre. Em 1264, Shitiro adoeceu e, no fim do mesmo ano, recebeu uma carta de encorajamento de Daishonin. Ele veio a falecer no ano seguinte. 2. Terra pura do Pico da Águia: O Pico da Águia é o lugar em que Sakyamuni pregou o Sutra de Lótus. Também simboliza a terra do Buda ou o estado de Buda, como na expressão “terra pura do Pico da Águia”. 3. Mundo saha: Este mundo que é repleto de sofrimento. Freqüentemente traduzido como “mundo da perseverança”. Saha quer dizer “terra”; deriva de um radical que significa “resistir” ou “suportar”. Nesse contexto, “mundo saha” indica um mundo em que as pessoas devem resistir ao sofrimento. 4. Atingir o estado de Buda na presente forma: Significa manifestar o estado de Buda tal como cada indivíduo é, sem ter de se descartar do corpo e da identidade como ser humano. De acordo com outros ensinos, exceto o Sutra de Lótus, uma pessoa somente pode atingir o estado de Buda depois de ter praticado durante um período incrivelmente longo, por incontáveis existências, e cortando todo vínculo com os nove estados. Mas o Sutra de Lótus ensina que é possível atingir o estado de Buda tal como cada um é, como pessoas comuns. Esse princípio costuma ser ilustrado por meio do exemplo da filha do Rei Dragão que, de acordo com o 12º capítulo do Sutra de Lótus, “Devadatta”, atingiu a iluminação num instante, sem mudar a forma de dragão, por meio do poder benéfico da Lei Mística. 5. The Lotus Sutra [LS], cap. 11, p. 180. 6. The Writings of Nichiren Daishonin [WND], v. 1, p. 456. 7. Nanjo Tokimitsu (1259-1332): Seguidor leigo de Nitiren Daishonin e segundo filho de Nanjo Hyoe Shitiro. Além de apoiar seu mestre, Tokimitsu auxiliou Nikko Shonin, o sucessor imediato de Nitiren Daishonin, nas atividades de propagação na área Fuji. Também protegeu os seguidores de Nitiren Daishonin durante a Perseguição de Atsuhara, iniciada em 1278. 8. Terra Pura da Perfeita Alegria: Terra situada a oeste, descrita nos sutras da escola Terra Pura. Segundo esse sutra, está localizada a uma distância de “dez bilhões de terras do Buda a oeste”, onde vive Amida. 9. Uma passagem de Anotações sobre “Grande Concentração e Discernimento”, de Miao-lo. Pelo fato de os Dez Mundos na totalidade, e todos os três mil mundos, existirem originalmente na vida das pessoas em cada momento, quando elas atingem o estado de Buda, de acordo com esse princípio, o corpo e a mente delas permeiam o mundo dos fenômenos e elas atingem uma condição de completa liberdade. Leia em Os Escritos de Nitiren Daishonin [END], v. 5, p. 197. 10. WND, v. 1, p. 596. 11. WND, v. 2, p. 964. 12. Infinita Alegria da Lei: A felicidade suprema e ilimitada do Buda, o benefício da Lei Mística. 13. Sobre essa passagem do 11º capítulo do Sutra de Lótus, “Surgimento da Torre de Tesouro”, Nitiren Daishonin afirma no Registro dos Ensinos Orais: “Manter o Sutra de Lótus é sustentar a crença de que nosso corpo é o corpo do Buda. (...) Manter o corpo do Buda significa sustentar a crença de que fora do nosso corpo o Buda não existe. Em outras palavras, o mortal comum, no nível em que se é um buda em teoria, não difere do Buda no nível da iluminação suprema”. (Registro dos Ensinos Orais, pp. 96-97). A passagem do sutra pertence a The Lotus Sutra [LS], cap. 11, p. 180, citada em WND, v. 1, p. 456. 14. “O inferno é a Terra da Luz Tranqüila”: Significa que o mundo de Inferno, um estado de vida de sofrimento, pode transformar-se na Terra da Luz Tranqüila, onde o Buda habita, tal como é. “Inferno” denota um estado de sofrimento extremo, e “Terra da Luz Tranqüila” é o estado de Buda. A idéia de que o estado de Inferno é o estado de Buda, expressa, de modo figurado, o princípio da possessão mútua dos Dez Mundos. 15. Bodhisattva Manjushri: Personagem que aparece nos sutras como líder dos bodhisattvas, considerado símbolo da perfeita sabedoria. 16. Filha do Rei Dragão: Também conhecida como menina-dragão. Filha de 8 anos de Sagara, um dos oito grandes reis dragões que vive num palácio situado no fundo do oceano. Quando ouve o Bodhisattva Manjushri pregar o Sutra de Lótus, a menina manifesta o desejo de atingir a iluminação. Então, ela se apresenta diante da assembléia do Sutra de Lótus e instantaneamente atinge o estado de Buda, tal como é. 17. WND, v. 1, p. 850. 18. Guardiões do inferno: Demônios da mitologia budista que atormentam os transgressores que haviam caído no inferno. Servem a Yama (Emma), rei do inferno, que julga e determina as retribuições e punições aos falecidos. 19. LS, cap. 12, p. 188. 20. LS, cap. 12, p. 189. 21. WND, v. 1, p. 457. 22. No budismo, esse termo denota a ignorância em relação à verdadeira natureza da existência. É considerada a causa fundamental do sofrimento e da ilusão. Impede as pessoas de reconhecer a verdadeira natureza da própria vida e de abraçar a fé na Lei Mística, que possibilita a todos atingir a iluminação. 23. Essas palavras constam em Grande Concentração e Discernimento, de Tient’ai. A analogia é empregada para explicar que mediante o estudo constante, adquire-se uma compreensão mais profunda, assim como algo imerso repetidas vezes na tintura adquire um tom mais intenso que o da própria planta da qual se obteve o pigmento. 24. Nove consciências e seis consciências: A doutrina das nove consciências identifica nove tipos de discernimento. Elas são os cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato), a consciência-mente (que integra as percepções dos cinco sentidos em imagens coerentes), a consciência-mano (que corresponde ao domínio espiritual), a consciência-alaya (ou repositório cármico) e a consciência-amala (nível livre de qualquer impureza cármica e base de todas as funções da vida). Amala, a nona consciência, é a mais profunda de todas e constitui a natureza de Buda. As seis consciências correspondem às seis primeiras das nove consciências, ou os cinco sentidos mais a consciência-mente, a função espiritual que faz julgamentos e deduções em resposta ao estímulo externo. 25. Eternidade, felicidade, verdadeira identidade e pureza: Quatro nobres qualidades ou virtudes da vida de um buda. “Eternidade” é a natureza de Buda imutável e eterna. “Felicidade” corresponde à tranqüilidade e à alegria que transcendem quaisquer sofrimentos. “Verdadeira identidade” significa que a natureza de Buda é nossa verdade e base. Por fim, “pureza” corresponde a uma vida livre de conduta errônea ou ilusória. 26. TODA, Jossei: Toda Josei Zenshu (Obras Completas de Jossei Toda). Tóquio: Seikyo Shimbunsha, 1982, v. 2, pp. 446-447. 27. WND, v. 1, p. 458. 28. “Rei da mente” refere-se à essência ou núcleo da mente, que controla as diversas funções mentais. 29. “O palácio da nona consciência, a realidade imutável que rege todas as funções da vida”: A nona consciência é comparada a um palácio porque é a função central da vida, inseparável da verdade eterna e imutável. Leia em WND, v. 1, p. 832.

* Os grifos são meus, como forma de chamar atenção para alguns detalhes que achei importante salientar.